sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

O Deus que mora em mim

O Deus que mora em mim 

O Deus que mora em mim 
se revela no olhar de quem
com serenidade posso chamar de irmã (o).

Se revela na mão que acolhe, 
no abraço caridoso,
na ação desprendida sem esperar retorno.

O Deus que acredito
é tão imenso que acolhe todas as crenças
e deixa seus filh@s livres para escolher
qual religião seguir ou não seguir nenhuma.

O Deus que mora em mim
tem misericórdia dos que morrem de fome,
dos que choram com suas dores infindas,
dos que estão as margens.


O Deus que mora em mim
se entristece quando seus filh@s
perdem a essência de suas vidas
e se preocupam mais com julgamentos
do que é certo ou errado.

o Deus que mora em mim
ás vezes se cansa de sua criação
por vê-la também como destrutiva,
fazendo mal a si própria e a seus descendentes.

O Deus que mora em mim
chora com toda intolerância
porque isso é fugir da linda liberdade que é viver.

Jesuana Prado.
setededezembrodedoismiletreze

Eu acredito e acreditando sigo...

Eu acredito e acreditando sigo...

Eu acredito em tanta coisa 
que tantas coisas escapam ao meu acreditar ...
Mas acredito que a natureza é perfeita, 
e os seres humanos o oposto.

Acredito que infelizmente,
nós humanos vamos acabar com o planeta terra,
ou vamos acabar com nós mesmos...

Acredito em Deus embora me permita duvidar...
Em Jesus Cristo como um grande revolucionário
Mas de coração manso, de jeito simples.

Acredito no amor apesar das dores que o acompanham...
Acredito na paixão instantânea ou
Conquistada, cativada, construída...

Acredito nos sonhos individuais e coletivos
E que a vida se tece exatamente da nossa vontade de torná-los reais...

Acredito nos pedidos que a gente faz
Quando vê uma estrela cadente,
Ou quando sopra a vela de mais um ano de vida.

Acredito em anjos e que o meu é negro
é diferente e eu acredito que tod@s somos diferentes,
únicos e por isso tão belos e enigmáticos...

Acredito em tratamentos holísticos
e na força do universo que conspira
para encontros ao acaso acontecerem...

Acredito em mim
embora às vezes
eu seja dúvida, inconstância...

Acredito na família
e no amor incondicional de mãe e filhos...

Acredito que acreditar
faz bem
porque nos impulsiona a seguir...

Enfim,
a cada manhã acredito que o sol vai nascer outra vez
e que vale a pena viver.
Jesuana Prado
Novembrodedoismiletreze

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Talvez eu... Talvez você...

Talvez eu... Talvez você...

Vim ao mundo nua... 
Não trouxe comigo nada além que 
em minhas veias o sangue, o DNA de minha família biológica,
o meu DNA, fruto de uma relação de amor... ou não...
de prazer... ou não...

Vim ao mundo despida...
de sonhos, crenças, conceitos...
Nua... ao avesso...
Minha família me constituiu gente...
humana, meio bicho, meio social...

Vim ao mundo descalça...
das hierarquias,
dos sistemas políticos,
das relações de gênero, classe, etnia...

O mundo me moldou...
alegre, triste...
empobrecida... periférica... mulher...

O mundo me formou...
cheia de PREconceitos...
de CONceitos fundados ou não...

Talvez nada seja meu...
Talvez eu seja um pouco de muitos...
muito de poucos...

Talvez eu seja um ser resultante
de processos sociais...
resultado do trilhar inverso do caminho...



Talvez eu... Talvez você...
sejamos parte de um processo construído por trajetórias,
por múltiplos passos...

Talvez eu... Talvez você...
sejamos aprendizes dessa vida louca
que para alguns vale a pena viver,
para outros, morrer...

Talvez eu... Talvez você...
defendamos intensamente os direitos...
os nossos direitos... os direitos humanos...

Talvez eu... Talvez você...
lutamos pela vida a tal ponto
de sonhar que ninguém mais
seja vítima...
Ninguém mais seja agressor...
e tod@s sejamos sujeitos de direitos.

Jesuana Prado
Dezenovedeoutubrodedoismiletreze

Foto: Arquivo Pessoal/PJMP presente nas manifestações de Junho/2013.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Do Lugar Digno (ou a descoberta de uma Bioafetiva)

Do Lugar Digno (ou a descoberta de uma Bioafetiva)




Do Lugar Digno (ou a descoberta de uma Bioafetiva)


Quando o que fazemos é natural vem de dentro da alma.
Nem nos damos conta da singeleza de nossos atos.

Andando pelas longas avenidas de Brasília com meus amigos de coração, ganhei o carinhoso apelido de biosexual,
a princípio, seria uma espécie de apaixonada sexualmente por árvores,
pela natureza,
mas como não faço sexo com elas,
creio que bioafetiva se encaixa bem melhor.

Minha alegria em abraçar as árvores naquelas avenidas,
por seus canteiros,
trouxe risos as faces de meus amigos.

Éramos estranhos exercendo uma liberdade em terras alheias.

Depois, vendo a profundidade de energias que essas me emanavam,
veio a admiração.

Era real alguém em plena era tecnológica
abraçar árvores e tratá-las com carinho.

Ontem, lembrei das andanças
quando minha vizinha, Didi,
que é uma extensão da minha mãe na minha vida,
cuida e zela por mim como se a fosse
colocou uma planta na calçada em frente de casa,
era pesada e pendeu para um dos lados e caiu.

Saindo para ir trabalhar, minha irmã me deu uma carona.
Antes de entrar no carro,
ao ver a planta no chão caída,
Conversei com Didi, e perguntei:  
E essa planta? Não tem um lugar digno para ela não?

Didi me respondeu que a havia deixado lá para ver se alguém levava para si, pois estava muito grande.

Eu naturalmente,levantei a planta e a deixei lá.

Segui meu percurso.
Fim do dia. Outro dia.

Hoje fiquei sabendo através de minha mãe que
Didi passou a noite sem dormir 
com minha frase ecoando em sua cabeça:
Não tem um lugar digno para ela não?

Didi levanta cedo e vai a calçada ao encontro da planta.

Ela ainda estava lá e felizmente retornou ao seu cantinho de origem.

Com isso percebi que é meu estado natural,
além de lutar por direitos humanos,
lutar por direitos a natureza,
mesmo que naturalmente, a palavra já diz por si.

E hoje dou um viva a sutileza de reconhecer nossos erros,
de voltar atrás,E fazer o que nosso coração ordena,
seguir o que nossos instintos selvagens de nossas origens clamam.

Minha mãe, orgulhosa de mim, assim disse, 
e foi quem deu fé de tudo isso que agora transcrevo.
E eu só posso dizer que foi com ela que aprendi
a amar tanto assim a natureza 
e admirar a resistência dos cactos 
sempre cultivados em nosso quintal em meio as flores, frutas e bichos.

E agora eu que assumo,
admiração imensa de você mãe e de você também Didi,
por não ter medo de voltar atrás e 
por também amar a natureza tanto quanto eu.


JesuanaPrado


Vinteeoitodesetembrodedoismiletreze

Foto: Arquivo Pessoal.



Para: Filomena, Didi,Márcia, Cristina, Cáilla, Laudiano, Daniela, Lindalva.


  

"Freud Explica"...

(Klimt)

"Freud Explica"...

De um sonho noturno...
um desejo oculto, 
presente:
Beijar sua boca.

"Futuros amantes quiçá..."
E quem sabe sermos
a novidade um do outro.
E quem sabe...
o amor aconteça.


Vinteesetedesetembrodedoismiletreze
JesuanaPrado

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Da vida sendo recriada!


Da vida sendo recriada!


                                            FRIDA KAHLO, Con el autoretrato El Abrazo de Amor de El Universo, la tierra (México) 



Da vida sendo recriada!

De minha boca novos amores serão tecidos...
germinados no âmago de meu ventre,
Novos amores, sadios, sãs
transluzentes de esperança.

De minha boca, novos beijos ao amanhecer...
novos sorrisos a beira mar...

De meus olhos, amores curados...
amores brotando feito em flor de você.

De mim, de nós... a vida sendo recriada...
a vida valendo sempre mais....
mais que os azares... mais que os rancores...

Do amor a vida... a vida sempre linda...
recriada vida... recriando uma mãevida.

De minha boca... tudo.
De você: EU.


JesuanaPrado
Vinteesetedesetembrodedoismiletreze

Dedicada a Daniela Fideles.

"Mentiras sinceras me interessam"


                                                                                                      

*"Mentiras sinceras me interessam"

Eu quis acreditar em cada palavra...
Assumí-las como  verdades...

Eu quis transportá-las 
em ações no aqui... exato momento.

Eu quis que fosse de verdade...
afinal..."mentiras sinceras me interessam".
Mas... foi só...
só inspiração para mais uma poesia de ausência...

Foi só espaço para engano...

Foi só... 
nada profundo em essência.

Só corpo...

Desejo...

Faltou paixão em tom de brincadeira, não é mesmo...
Só tenho amor, este não serve.


JesuanaPrado
Dezesetedesetembrodedoismiletreze

*Cazuza

Dos Amores Assassinados





Frida Kahlo, El abrazo de amor.


Dos Amores Assassinados

Eu sou uma assassina.
Já matei amores dentro de mim.
Sufoquei-os até o último suspiro romântico.
Dei o pior de mim,
Mostrei-me outra que não eu
só para trucidar o resto de anseio de amor que houvera.

Matando-os, matei-me!
Sentidos...
Ausências...
Risos...
Matei a sua morada em mim,
a sua essência partilhada no nós.
Sufoquei meu grande amor 
até não existir mais raízes.
Até decepar toda mácula,
toda sutileza de amorosidades.

Sou uma assassina
Matei o melhor de mim em ti...
o mais puro encantamento do EUTUNÓS...

Mirando os restos de meus crimes...
vaga uma saudade, esta sim, profunda...
como um dia foi a existência de amores em mim.


JesuanaPrado
Dozedesetembrodedoismiletreze


Escritos...

  

Escritos...
   





A tinta diz       quem eu sou .

..

cada palavra gerada leva meu DNA carregado de sentidos...




de possíveis transmutações do tempo...


... espaço.



cada letra une o que de dentro transborda...




 sai de mim, em versos, prosas..


.

sai de mim e se perpetua no agora...

e fim!






JesuanaPrado

Vinteeseisdesetembrodedoismiletreze



 Foto: Jesuana Prado

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Amor Surpresa

Amor Surpresa

Hoje, sentada, sorrindo para o vento,
sorrindo ao vento,
sorrindo para você, por você.

Quem és tu que consegues me arrancar o riso solto?
Que arrancas de minha alma a alegria escondida?
Que exalas em mim perfume de poesia?

Hoje, sentada, voltando para casa,
com você nos meus olhos,
com você no brilho de minha existência.
Como não me apaixonar?

Quem és tu capaz de uma gentileza sem fim?
Que respiras tão leve, flutua no andar como em nuvens?
Que falas sorrindo calmante lindo?


Hoje, sentada, com você, me perguntava:
Como não me apaixonar?

JesuanaPrado
vinteetrêsdesetembrodedoismiletreze