domingo, 21 de abril de 2013

Dúvida insone



Dúvida insone




“...mas a dúvida é o preço da pureza e é inútil ter certeza”





Constatando o meu engano, 

sou prisioneira 

do meu desânimo. 

Porém meus olhos revelam

a viagem no pensamento.

Para que tu não vejas... 

fecho as pálpebras,

já cansadas

da insônia eminente. 

E agora silenciosamente

 e furtivamente:

  sou dúvida.



JesuanaPrado
Vinteeumdeabrildedoismiletreze


sexta-feira, 29 de março de 2013

Tempo da Tormenta


 Tempo da Tormenta




Tão rebeldes e fortes ao nascer

teimando em deixar meus olhos.

Mas tão morna e suave

percorrendo minha face.

Sinto um mar em seu sabor,

Um mar que limpa e purifica.

Mas beber de suas águas

é condenar-se à loucura

e a tormenta percorrida

atormenta meus sentidos.

Rendo-me ao seu sabor,

O sal também alimenta.
 
Daniela Fidelis
vinteenovedemarçodedoismiletreze

Indelével

Indelével

Indelével

o que não se pode...

pois não se deve...

apagar...


... na alma,

...no gosto,

você.



Jesuana Prado
dezdedezembrodedoismilenove

entretantos...

 entretantos...




Daí-me a fórmula

do abrandamento necessário,

com todos os poréns,

todavias, entretantos...

entre...tantos...
há resquícios...



Jesuana Prado
dezdedezembrodedoismilenove

Semana

semana

 

Minha semana

começa na sexta

e se estende

infinita

até domingo.

A segunda
é sempre
segunda.

Jesuana Prado
vinteesetedenovembrodedoismilenove




domingo, 3 de março de 2013

Ajuda

Ajuda

"Te ajudo a decorar os dias
Te empresto minha neblina."  *
Te ajudo a rememorar os anos
me apresento: Inteira.

Te ajudo a seguir devaneios
te conduzo ao abismo.
Te ajudo a devorar as horas
me esquivo: do avesso.

Te ajudo a roubar as noites
Te concedo minha dança.
Te ajudo a vaguear desejos
me embaraço: em segredos.

Te ajudo a iludir sentidos
Te emano minha energia.
Te ajudo a recomeçar em segundos
me entrego: Ligeira.


umdemarçodedoismiletrezeJesuanaPrado


* música Tempo de pipa- Cícero.

Nenhuns



"Nenhum poema se faz de matéria abstrata. É a carne, e seus suplícios, ternuras, alegrias..." 
Alphonsus de Guimaraens Filho


Nenhum Poema
se faz de vazio.
A não ser da Plenitude deste.
Se é que a imaginação permite.

Nenhum Poema
se faz do que não se sente.
Ele brota das entranhas
do puro sentimento,
da dor mais contida,
de uma ferida ainda aberta
dificil de sarar.

Nenhum Poema 
se faz do nada,
mas do nada se faz poema.

Poemas são cheios de tudo.

Poemas são poesias
repletas do que o poeta é ou foi.
ou imagina.

setedefevereitodedoismiletreze.

Jesuana Prado

Sou eu ou o Outro?

Sou eu ou o Outro?



Como podes
ser
outro.




do 
de 
outrora
resta tão pouco.

em pouco
espaço de tempo
de ser
já eras outro.

e esse outro,
não reconheço.

não encontro quem eras
no que és,
o que fostes
no que és.

o que fostes,
no estado de si,
quanto mais no nós,
esse inexistente.

o nós do passado
foi sepultado lá.

e o que renasce
não consigo dá fé.

Quatrodefevereirodedoismiletreze

JesuanaPrado

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Não amar, não é suficiente!


Não amar, não é suficiente!




De súbito, uma vontade  me aperreia,
eu te amo! mas não, não amo ninguém.
às vezes parece que nem a mim.
desse amor capaz de dá a vida, de ser tudo,
de ser maior, mas, não.

E porque querer sua atenção,
seu carinho,
sua presença.
Não sei.
Mas eu te amei,
e por um record de tempo inimagináveel,
esse mesmo que nos desgastou,
nos disse um adeus,
parecido com um até já.
nos deixou marcas...
profundas...
incapacidades repletas de dúvidas...
tentativas cheias de passado,
nada novo,
mais do mesmo
disfarçado de novidade...
estranho,
nada do que eu diga faz sentido...
nada parece fazer sentido...
nada é suficiente...
não amar... não é suficiente!
eu não sou suficiente...
nem mais você é.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

"Mar...misterioso mar"

"Mar...misterioso mar"


A vida sem luta é um mar morto no centro do organismo universal.



Água que vem e arrasta
                                 Que transborda sem fazer notar-se
                                                                               Abençoa sem pedir...
                                                                                                As mágoas afoga...


Mar
tão vasto
tão tanto
tão longínquo
horizonte sem fim
ou com fim depende de mim
de meus pés firmes no chão
de meus sonhos lá no alto da maresia enfim...

Água que me cura
                           me lava a alma...
                                                A aura
                                                   Transcende
                                                           Translucida
                                                             Transeunte de algum lugar que vai
                                                               Além de mim
                                                                          De nós
                                                                            Além de si...
                                                                                          Além...

Mar
tão perfeito
tão tanto
tão tudo
horizonte onde o olhar alcança e cansa
de delirar...
dilatando as pupilas da existência morbidamente poética
reluzentemente vivaz...
tão contráditório quanto o resto,
quanto a dúvida  de cada instante,
de ser por si só suficiente... por si só enfim...

                                             

                                                 Jesuana
                                                            Prado

Quatrodefevereirodedoismiletreze


(Foto: Adriana Passos. Arquivo Pessoal.)