sexta-feira, 3 de abril de 2020

Nossas Pulseiras

Naquele dia 
queríamos o mesmo lado da cama e eu te confessei que 
eu só dormia de um lado como quem parece esperar alguém chegar.
Naquele dia 

eu também te confessei sentir saudades e 
desejei cheirar o teu cangote. 
Falávamos ainda em reciprocidade, 
da sutileza das nossas pulseiras: uma pra mim e uma pra ti.
Mostrei a ti um poema desses que são as nossas falas que inspiram, 

fruto dos nossos ruares.
Naquele dia decretaram a quarentena

 pensei estar sozinha, 
descobri tua morada em meu peito.





JesuanaSampaio
Marçodedoismilevinte


Bemtevi





Meu amor, aqui em meu isolamento, te peço: se cuida.
Hidrata o corpo, oxigena a mente.
Alimenta a alma e o espírito, deixa que o sol te ilumine.
Bombeie o coração com as nossas lembranças, 
aquece as carnes com a memória dos nossos abraços.
Emana ao universo cura, cura a ti, a mim, a humanidade.
E quando a primavera chegar em pleno inverno
 eu quero adormecer em teu ombro, 
desgastar todos os beijos, 
acarinhar os teus cabelos e acordar todas as manhãs com teu cheiro.

Eu não te esqueço, não me esqueça. 

Espero a nossa primavera, minha flor

Meu amor, estar comigo é também estar contigo. 
Te espero no vôo do bem te vi.


JesuanaSampaio
Marçodedoismilevinte

quarta-feira, 23 de março de 2016

Mulher

Mulher

Sou filha de um ventre gentil
de uma pátria que não é.
Sou filha da luta
que não pode se calar,
que grita, labuta
nas ruas, guetos, favelas.
sou filha da revolta
por não me submeter,
rebeldia pura
por não obedecer
a um macho, opressor,
que quer bater, amedrontar, ameaçar
meu ser mulher.
Não sou nem nunca serei inferior
sou filha, sou mulher,
não sou, Não somos obrigadas a nada! Nada!
Esta é a única ordem.
Ninguém nos obrigará
a ter os filhos que não queremos ter,
a casar, ser normal.
Somos anormais, únicas, diferentes.
Permanecemos em luta
contra o machismo e o patriarcado.
Podem nos chamar de feministas,
é uma honra que acalentamos em nossas almas
Que pulsa em nossos sangues
que escorrem em fluxos menstruais
que também é fluxo quando
não vencemos a luta contra o feminicídio
que assola, abate
em um solo nada gentil.
Não me venha com flores mortas
cheirando a segregação.
Me venha com punho cerrado
para marcharmos em luta
até que nenhuma mulher tenha
seu sangue jorrado.
Dia da mulher é dia de luta,
todo dia é.
JesuanaPrado

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Seguir...



Uns dirão que olho para trás,
outros, para frente,
eu... sigo.
Seguir... meu verbo preferido...
porque mesmo quando eu ficar,
estarei seguindo, mesmo que seja meu coração.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Espírito Livre

Espírito livre



Aqui estou eu.
Está é minha alma.
Vê?
Meu corpo sutil levita
em uma frequência desconhecida por mim.
Sente? 
Essa sou eu.
Um ser à procura de um encontro espiritual
entre seres...
Universos...
Se me vê, se me sente,
me desvendarás.
Se não, simplesmente,
Será mais um a passar.
Só mais um,
preso aos limites.
Só mais um,
escravo das amarras.
Quem sou eu?
Não cabe na pergunta.
Cabe na liberdade de viver.


Jesuana Prado
vinteetrêsdesetembrodedoismilequatorze
Ilustração: Felipe Campos

segunda-feira, 21 de julho de 2014

HOJE



HOJE





Só hoje cabe na minha mão...



Só hoje existo em exatidão...





só hoje rima com hoje...





Só hoje eu sou...





Só hoje estou aqui...





Só hoje eu sou luz...





Só hoje eu amo...





Só hoje... meu dia predileto...




JesuanaPrado

Dezoitodejulhodedoismilequatorze/hoje

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Senhor vento

Senhor vento




Senhor vento,

 Deus dos tempos...

Traz com suas horas

O orvalho a face

 No zumbir gostoso

Que vai e vem além dos dias...

Faça-se leveza em mim...

Chegue até a minha presença...

Como alma que invade e recria estados de ser...

Chegue e me embriague da luminosidade de tua essência...

chegue e me surpreenda na hora do adeus...

até que o calor faça sentido

 e eu espere o próximo encontro...

além...


JesuanaPrado
Trêsdeabrildedoismilequatorze




Foto: Valéria Maciel



terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Da saudade dos dias junt@s!


Da saudade dos dias junt@s!


Minha solidão deu lugar
Ao aconchego do estar junto
Já não tenho medo do escuro
Já não consigo estar só pelo caminho,
De mãos dadas seguimos
De mãos dadas vamos junt@s.

A rotina dos dias
Me tirou de meu casulo
E me mostrou que rir na madrugada
É tão bom.
Que dormir junto, apertado
Com ou sem sonoridades
é tão aconchegante.

Já não consigo andar só pelo caminho
Porque não quero,
porque meu passo
Se uniu ao caminhar coletivo,
Porque meus sonhos são tão nossos,
Porque meus dias nunca mais serão os mesmos,
Porque parte de mim precisa das suas companhias,
Porque meu riso é mais alegre com suas risadas.

Quero seguir com vocês trilhando um caminho no mesmo compasso.
E que o estar junt@s seja nossa mais nova lei.



 vinteeumdejaneirodedoismilequatorze

Jesuana Prado





sete traços...


sete traços...


O que vi
Na memória
Guardo o registro a sete chaves.

O que vivi
Trago na alma
tatuada
A sete traços.

O que ri
No canto da boca
Eternizo
A sete estragos.


O que morri
Transmuto em vida
A sete palmos.



O que senti
No peito aconchego
A sete compassos.


vinteeumdejaneirodedoismilequatorze


Jesuana Prado

Da saudade que eu tenho do sol vermelho do Alto da Sé

Da saudade que eu tenho do sol vermelho do  Alto da Sé


O sol vermelho recebe
quem madrugada a dentro tanto caminhou,
recebe o cansaço jovem
incessante diante da luta.

o alto da sé acolhe em seu solo sagrado
@s filh@s de seu filho maior,
grande mestre,Que proclama:
“sem arriscar não vivemos a esperança”.

O sol vermelho aquece
Quem tanto gritou nas estradas de Recife à Olinda:
Terra fértil, canto forte.

Aquece com ardor missionário
A juventude vinda de todos os recantos do nosso Brasil,
Que não desiste da luta
Pois traz consigo muita ternura e resistência.

O sol vermelho nos acompanha no imaginário
dos dias vividos ardentemente na terra da nossa mãe,
e a saudade do alto da sé
enche de poesia o cotidiano
alimentando assim a esperança
de novos passos conduzirem ao reencontro.



Jesuana Prado
vinteeumdejaneirodedoismilequatorze