sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Do Lugar Digno (ou a descoberta de uma Bioafetiva)

Do Lugar Digno (ou a descoberta de uma Bioafetiva)




Do Lugar Digno (ou a descoberta de uma Bioafetiva)


Quando o que fazemos é natural vem de dentro da alma.
Nem nos damos conta da singeleza de nossos atos.

Andando pelas longas avenidas de Brasília com meus amigos de coração, ganhei o carinhoso apelido de biosexual,
a princípio, seria uma espécie de apaixonada sexualmente por árvores,
pela natureza,
mas como não faço sexo com elas,
creio que bioafetiva se encaixa bem melhor.

Minha alegria em abraçar as árvores naquelas avenidas,
por seus canteiros,
trouxe risos as faces de meus amigos.

Éramos estranhos exercendo uma liberdade em terras alheias.

Depois, vendo a profundidade de energias que essas me emanavam,
veio a admiração.

Era real alguém em plena era tecnológica
abraçar árvores e tratá-las com carinho.

Ontem, lembrei das andanças
quando minha vizinha, Didi,
que é uma extensão da minha mãe na minha vida,
cuida e zela por mim como se a fosse
colocou uma planta na calçada em frente de casa,
era pesada e pendeu para um dos lados e caiu.

Saindo para ir trabalhar, minha irmã me deu uma carona.
Antes de entrar no carro,
ao ver a planta no chão caída,
Conversei com Didi, e perguntei:  
E essa planta? Não tem um lugar digno para ela não?

Didi me respondeu que a havia deixado lá para ver se alguém levava para si, pois estava muito grande.

Eu naturalmente,levantei a planta e a deixei lá.

Segui meu percurso.
Fim do dia. Outro dia.

Hoje fiquei sabendo através de minha mãe que
Didi passou a noite sem dormir 
com minha frase ecoando em sua cabeça:
Não tem um lugar digno para ela não?

Didi levanta cedo e vai a calçada ao encontro da planta.

Ela ainda estava lá e felizmente retornou ao seu cantinho de origem.

Com isso percebi que é meu estado natural,
além de lutar por direitos humanos,
lutar por direitos a natureza,
mesmo que naturalmente, a palavra já diz por si.

E hoje dou um viva a sutileza de reconhecer nossos erros,
de voltar atrás,E fazer o que nosso coração ordena,
seguir o que nossos instintos selvagens de nossas origens clamam.

Minha mãe, orgulhosa de mim, assim disse, 
e foi quem deu fé de tudo isso que agora transcrevo.
E eu só posso dizer que foi com ela que aprendi
a amar tanto assim a natureza 
e admirar a resistência dos cactos 
sempre cultivados em nosso quintal em meio as flores, frutas e bichos.

E agora eu que assumo,
admiração imensa de você mãe e de você também Didi,
por não ter medo de voltar atrás e 
por também amar a natureza tanto quanto eu.


JesuanaPrado


Vinteeoitodesetembrodedoismiletreze

Foto: Arquivo Pessoa.



Para: Filomena, Didi,Márcia, Cristina, Cáilla, Laudiano, Daniela, Lindalva.


  

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