domingo, 20 de novembro de 2011

Flor de Cacto






Eu sou uma flor de cacto,
 quem sobrevive a meus espinhos,
 é privilegiado com o que há de mais belo em mim.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011




A PJMP e os Conflitos Eclesiais

A PJMP não é de hoje que sofre com repressões, conflitos eclesiais, devido a isso não é àtoa que o lema que nos guia é Ternura e Resistência, que Ileaô “é casa que se entra triste e sai alegre”, pois cada vez que alguém tenta nos calar, bebemos da fonte do nosso ileaô pra continuarmos nossa árdua missão de anunciar e denunciar custe o que custar.

Não é típico de nós nos calarmos diante do que é imposto, anunciamos com ação o que fica preso as palavras e homilias, atuamos com criticidade e  questionamentos,frente as  imposições da nossa amada igreja enquanto instituição, porque a igreja que está em nós, dentro de nós, que somos nós, nos acolhe em unidade, em comunidade, em manifestações diversas de nosso amor ao Cristo libertador que se faz presente na nossa sede por justiça, na nossa luta contínua por um mundo melhor.

Por muitas vezes fomos impedidos de atuar em algumas paróquias, como também tratados como meros servos a mercê das vontades de párocos, vigários, mais administradores do que pastores, e quão difícil dá a cara a tapa por tantas vezes pra divulgar o que para nós é pautado como Direito, como realmente nossa causa maior.

Não precisamos ser benquistos, só precisamos que nos deixe existir, ou melhor, existimos quer queiram ou não, o que somos não está preso as paredes de uma estrutura chamada Igreja Católica Apostólica Romana, o que nos faz ser o que somos, está na base de militância de um jovem que veio para que todas e todos tenham vida em plenitude, e para abalar as estruturas das instituições falidas, jovem que era empobrecido assim como nós, juventude de todos os recantos, guetos, favelas, periferias, é esse o Cristo que acreditamos, é essa a nossa fé que reafirmamos.

É a Juventude do Meio Popular.

Amém, Axé, Awerê, Aleluia!
      Fortaleza, 19  de novembro de 2011.
      Jesuana Alves Prado
(Articuladora Arquidiocesana da PJMP-Fortaleza)

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

CAPITU

CAPITU*

Não vou racionalizar se teu amor é ventura,
É vento de areia na face, machucando ternuras.
Enigmática Esfinge, não necessitas dizer qual caminho tomar,
Tomas sem pedir, escravizas no olhar, 
Regia milenar que santifica o altar
Todos os momentos, amor e loucura...
Capitu*, se  não fosses só um personagem de leitura,
Teus olhares oblíquos franziriam rugas de injúria
Por ver diante digna concorrente , sem profusão ou candura
Arremessando todas paixões,
Nos velhos porões das amarguras...
Corre, corre sem pedir perdão da dor que trazes no peito,
Foste Senhor do leito, apaziguador de seus medos,
Corcel triunfante, interpelou o sublime,
Pelos vales e sonhos da fêmea Fera, agora donzela
De teus desejos Infante...
Capitu* -  Capitolina (Capitu, como é conhecida), é uma personagem do livro "Dom Casmurro" de Machado de Assis (1839-1908), publicado em 1899

Poeminha sobre o trabalho

Poeminha sobre o Trabalho

Chego sempre à hora certa, 
contam comigo, não falho, 
pois adoro o meu emprego: 
o que detesto é o trabalho. 



Millôr Fernandes, in "Pif-Paf"

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

FACEBOOK

Quanto de mim, se expõe, quanto se oculta?
quanto é meu de fato? ou dos outros? falso.
Não quero dar explicações,
mas todos suplicam imediatamente,
não no meu tempo,
não na minha hora e vontade.

domingo, 6 de novembro de 2011

O Caminho do despertar do Feminino Sagrado

O Caminho do despertar do Feminino Sagrado

A energia feminina tem inúmeras formas de expressões representadas pelas deusas das mais diversas culturas, que nada mais são do que símbolos das energias que formam a nossa personalidade e dão sentido às nossas experiências.
A nossa cultura ocidental tem como influências principais: os símbolos cristãos e àqueles da cultura greco-romana. Ambas as influências dão uma grande ênfase no aspecto masculino da divindade e na representação de Deus como Pai. A cultura cristã reverencia a figura feminina de Maria somente no seu aspecto maternal, deixando implícito que os outros aspectos do feminino são profanos.
A cultura grega, a princípio primitivamente era Matriarcal, com ênfase na Grande Mãe, gradativamente com o desenvolvimento da mitologia, Zeus, filho de Saturno e neto de Urano, o Pai do Céu, assume o comando do Olimpo e divindades femininas originárias das qualidades da Grande Mãe surgiram,assumindo posições "subordinadas" ao Pai Zeus.
Podemos nos perguntar o que esta história tem a ver com a nossa vida hoje? Como estes personagens considerados pertencendo a um mundo mítico antigo influenciam hoje nas nossas vivências como mulheres e homens?
Primeiramente temos que diferenciar masculino e feminino, respectivamente dos sexos correspondentes e considerá-los como qualidades energéticas pertencentes em maior ou menor grau a homens e mulheres inconscientemente. Simbolicamente falando uma das expressões do masculino é o Logos, a razão e do feminino o Eros, o Amor, porém como homens e mulheres, nós vivenciamos ambas as energias, a diferença está no sentido e na forma que cada um a vivencia.
Integrar estas polaridades dentro de nós é o grande ideal da autorealização, unir a Sabedoria ao Amor e a todas as outras características correspondentes ao masculino e ao feminino, como por exemplo: a força à suavidade, o corpo a alma, a matéria ao espírito é a meta do homem Universal plenamente consciente.
Quais os desafios que enfrentamos na nossa existência para isso? Que valores e crenças conflitantes atribuem a nossa consciência a visão de corpo profano e de uma alma sagrada?
Para compreendermos a divisão arquetípica entre o masculino como a consciência mental e o feminino como a inconsciência física, sem identificarmos essas energias com a visão de que pertencem ao sexo masculino e feminino, é preciso que primeiro a compreendamos como sendo estas uma única e mesma energia pertencentes ao ser humano.
Por conta dessa divisão inconsciente, a sexualidade foi excluída da sua dimensão sagrada e considerada mesmo oposta ao caminho espiritual. Assim nos dias de hoje presenciamos na sociedade duas situações extremas que revelam esta ferida coletiva.
A primeira delas é uma atitude repressiva perante a toda e qualquer manifestação de sensualidade e uma inconsciência profunda perante ás necessidades básicas do corpo. Esta atitude está presente nas pessoas de mais idade e naquelas que assumem uma atitude "religiosa dogmática", em adolescentes que ainda não despertaram para o imenso potencial de vida que trazem dentro si e em todos que ainda não perceberam e não atualizaram a energia criativa do qual são expressões.
A segunda delas é uma atitude promíscua diante do sexo, onde não se tem noções dos limites, nem noção da força da energia de vida que é desperdiçada, quando a alma não é percebida e respeitada, sinalizando sentimentos e carências mais profundas, que tentam ser compensados numa atitude inconsciente e compulsiva perante o seu corpo.
As conseqüências na vida dessas duas atitudes ao nível  psicofísico são similares. Dificuldades e insatisfação na vida sexual, sentimentos de culpa, tensões físicas, incapacidade de criar e dar um sentido maior a sua própria vida.
A bem da verdade, a maioria de nós não vive nesses extremos, mas numa tentativa de nos adequar ao que é considerado socialmente aceito e aquilo que pode aparentemente nos trazer um equilíbrio, porém nem sempre nos sentimos felizes, pois essa integração não diz respeito a um cumprimento meramente de uma atitude moralmente aceita, mas de um resgate profundo do estar presente, do estar inteiro corpo-mente-espírito, seja na hora do Amor erótico, seja na hora da prática da espiritualidade e do amor universal, seja quando mergulhamos na solidão das nossas dores e inconsciências e simplesmente as acolhemos e as aceitamos como parte da vivência humana.
Despertar o feminino sagrado é reverenciar a face feminina de Deus. È encarnar em si as próprias qualidades divinas do amor, da devoção, do cuidado, da pureza e da beleza. Assim servimos à Deusa e nos tornamos unos com Ela.
Nancy Qualls-Corbett, no seu livro, A Prostituta Sagrada, através de pesquisas e relatos de antigas práticas de iniciação feminina, nos fala que havia prostitutas sagradas, virgens, que eram levadas ao templo para servirem à Deusa e assim adentrarem nos seus mistérios.
Na prática dos dias de hoje não existem templos como àqueles, somente espaços considerados profanos para o Amor, e quantas vezes as mulheres não são apenas prostitutas para os seus maridos ou vice-versa, fazendo sexo sem vontade ou sem mais aquele amor, não profanam assim o templo da Deusa que são seu próprio corpo? Desprovidos da dimensão sagrada perdemos  a visão de que o Amor só se manifesta quando transcendemos nossas carências egóicas e o desejo que o outro nos faça feliz, para então num ato ritual de adoração do Divino ou da Divina presença no outro, penetrarmos no templo sagrado do nosso ser e percebermos o êxtase de sermos Um com a vida.
A mensagem que a autora nos traz é que voltemos a realizar o sagrado matrimônio internamente entre o nosso corpo e a alma, nas nossas relações entre homem e mulher e ao nível transpessoal entre matéria e Espírito, sacralizando e oferecendo ao Amor Maior, todas as nossas ações.
Ana Cláudia Dutra
Bibliografia: Nancy Qualls-Cobertt: A Prostituta Sagrada, Ed. Paulus

sábado, 5 de novembro de 2011

Pensamentos que reúnem um tema

Pensamentos que reúnem um tema
Adalgisa Nery

Estou pensando nos que possuem a paz de não pensar,
Na tranqüilidade dos que esqueceram a memória
E nos que fortaleceram o espírito com um motivo de odiar.
Estou pensando nos que vivem a vida
Na previsão do impossível
E nos que esperam o céu
Quando suas almas habitam exiladas o vale intransponível.
Estou pensando nos pintores que já realizaram para as multidões
E nos poetas que correm indefinidamente
Em busca da lucidez dos que possam atingir
A festa dos sentidos nas simples emoções.
Estou pensando num olhar profundo
Que me revelou uma doce e estranha presença,
Estou pensando no pensamento das pedras das estradas sem fim
Pela qual pés de todas as raças, com todas as dores e alegrias
Não sentiram o seu mistério impenetrável,
Meu pensamento está nos corpos apodrecidos durante as batalhas
Sem a companhia de um silêncio e de uma oração,
Nas crianças abandonadas e cegas para a alegria de brincar,
Nas mulheres que correm mundo
Distribuindo o sexo desligadas do pensamento de amor,
Nos homens cujo sentimento de adeus
Se repete em todos os segundos de suas existências,
Nos que a velhice fez brotar em seus sentidos
A impiedade do raciocínio ou a inutilidade dos gestos.
Estou pensando um pensamento constante e doloroso
E uma lágrima de fogo desce pela minha face:
De que nada sou para o que fui criada
E como um número ficarei
Até que minha vida passe.

Adalgisa Nery (1905 - 1980) nasceu na cidade do Rio de Janeiro. Casou-se com o pintor Ismael Nery aos 16 anos de idade, passando a conviver com intelectuais da época, entre os quais Manuel Bandeira, Murilo Mendes, Aníbal Machado e Jorge de Lima. Com o falecimento de Ismael, inicia sua carreira literária publicando seu primeiro trabalho em 1935, na Revista Acadêmica, passando a contribuir com vários periódicos. Em 1940, casou-se com Lorival Fontes, que foi nomeado embaixador do Brasil no México. Com isso, a escritora passou a freqüentar a elite intelectual daquele país, tendo sido retratada por Diogo Rivera e amiga de Frida Kalo. De volta ao Brasil, após sua separação, iniciou sua carreira como articulista política, tendo escrito, de 1954 a 1966, uma coluna diária no jornal Última Hora sob o título "Retratos sem retoque". Foi eleita deputada por dois mandatos — 1962 e 1966. Foi cassada pela Junta Militar, em 1969. Deprimida, faleceu em um abrigo de idosos, no Rio de Janeiro. Algumas obras da autora: O jardim das carícias (1938), Mulher ausente (1940), Ar do deserto (1943), Cantos da angústia (1948), As fronteiras da quarta dimensão (1951) e A imaginária (1959).

Poema extraído do livro “Mundos Oscilantes – Poesias Completas”, Livraria José Olympio Editora – Rio de Janeiro, 1962, pág. 158.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

EU







Sou tão diferente, complexa, que já nem sei compreender os normais.
Jesuana Prado