domingo, 30 de outubro de 2011

Meu Lado Mulher


Meu Lado Mulher
Meu lado mulher incomoda-se de receber homenagens num único dia do ano – 8 de março -, enquanto meu lado homem se farta com 364 dias. Talvez se faça necessária esta efeméride, dor recente de uma cicatriz antiga. Porque se vive numa sociedade machista: matrimônio – o cuidado do lar; patrimônio – o domínio dos bens.
O marido possui a casa, o carro e a mulher, que incorpora ao nome o da família dele. A casa, ele exige que se limpe todo dia. O carro, envia à oficina ao menor defeito. À mulher, ser polivalente, cabe o dever de cuidar da casa, dos filhos, das compras e do bom-humor do marido, que nem sempre se lembra de cuidar dela.
 Meu lado mulher nunca viu o marido gritar com o carro, ameaçá-lo ou agredi-lo. Nem sempre, entretanto, ela é tratada com o mesmo respeito. Ele esquece que marido e mulher não são parentes, são amantes. Ou deveriam ser.
 Na Igreja Católica, os homens têm acesso aos sete sacramentos. Podem até ser ordenados padres e, mais tarde, obter dispensa do ministério e contrair matrimônio. Toda a hierarquia da mais antiga instituição do mundo é de homens. O que seria dela e deles se não fossem as mulheres?
As mulheres, consideradas pela teologia vaticana um ser naturalmente inferior, só têm acesso a seis sacramentos. Não podem receber a ordenação sacerdotal, embora tenham merecido de Jesus o útero que o gerou; o seguimento de Joana, de Susana e da mãe dos filhos de Zebedeu; a defesa da mulher adúltera; o perdão à samaritana; a amizade de Madalena, primeira testemunha de sua ressurreição.
 Meu lado mulher tem pavor da violência doméstica; do imbecil que diz bobagens quando a garota passa; do pai que assedia a filha, jogando-a nas garras da prostituição; do patrão que exige préstimos sexuais da funcionária; do marido que ergue a mão para profanar o ser que deu à luz seus filhos.
 Diante da TV ou de uma banca de revistas, meu lado mulher estremece: cala a boca, Magda! Ela é a burra, a idiota que rebola no fundo do palco, mergulha na banheira do Gugu, expõe-se na casa dos brothers, associa-se à publicidade de cervejas e carros, como um adereço a mais de consumo.
 Meu lado mulher tenta resistir ao implacável jogo da desconstrução do feminino: tortura do corpo em academias de ginástica; anorexia para manter-se esbelta; vergonha das gorduras, das rugas e da velhice; entrega ao bisturi que amolda a carne segundo o gosto da clientela do açougue virtual; o silicone a estufar protuberâncias. E manter a boca fechada, até que haja no mercado um chip transmissor automático de cultura e inteligência, a ser enxertado no cérebro. E engolir antidepressivos para tentar encobrir o buraco no espírito, vazio de sentido, ideais e utopia.
 Meu lado mulher esforça-se por livrar-se do modelo emancipatório que adota, como paradigma, meu lado homem. Serei ela se ousar não querer ser como ele. Sereia em mares nunca dantes navegados, rumo ao continente feminino, onde as relações de gênero serão de alteridade, porque o diferente não se fará divergente. Aquilo que é só alcançará plenitude em interação com o seu contrário. Como ocorre em todo verdadeiro amor.
Frei Betto

Digo o que digo, a verdade é minha companheira.


 A verdade,
 sim a verdade,
 companheira de longa caminhada, 
transborda em mim 
através de palavras 
que nem precisam ser ensaiadas,
 sai em versos soltos, 
em questionamentos fundados
 em minha vivência, em minhas experiências. 
30 de outubro de 2011

Repressão!!

O livro de Marilena Chauí, Repressão Sexual, é uma boa escolha para quem quer desvendar um pouco mais sobre essa temática tão importante, pois principalmente nós mulheres sofremos na pele, no corpo, com tal repressão, que diz que não podemos nos tocar, nos permitir prazer e ter direitos sobre nossa sexualidade e nosso corpo, não nos deixemos reprimir, abaixo a repressão seja ela de qualquer natureza, sejamos livre verdadeiramente, "Vamos nos permitir".

Saciedade


Saciedade
Guerrilha em mim
uma esperança de lutar
pelos meus sonhos
e um desanimo descrente,
uma sede de igualdade,
uma saciedade de injustiça.

Aconchego

Aconchego
Saudades de ficar
Sossegada no teu aconchego,
Saudades de teu beijo
Gratuito, por puro desejo.
Saudades de ti,
De tua presença,
Cansada, exausta,
Exaurida de nossa ausência,
Desejando um minuto,
Um sono, um sonho...
...contigo, em ti, somente.
agosto de 2008

sábado, 29 de outubro de 2011

AMÉLIA

AMÉLIA
Somente pra ti
Sou princesa
Quando para muitos
Fui plebéia.
Somente pra ti
Sou realeza,
Quando para muitos
Fui Amélia.
Abril de 2006.

SAUDADE

SAUDADE
Não sei descrever a saudade
Que sinto agora
Não sei se é de hoje
Ou de outrora.
Não sei se passa ou demora
Ela vem de repente
Não escolhe à hora.
Chega, fica,
 nos consome, devora,
E quem sabe um dia
Liberta-se de dentro e vai embora.
 Novembro de 2005

RELÓGIO

RELÓGIO
Relógio...
...marca o tempo,
Para que eu possa feliz beijá-lo,
E esquece de marcar Tão precioso tempo,
Quando nos braços do amado
Deleitar-me.
Esquece de dizer Que já é hora de partir,
Esquece tempo e espaço
De qualquer noção cronológica,
Pára por uma eternidade
Para que eu possa
Saciar a sede do agora.
Outubro de 2007
(Para Jonas Santos )

COTIDIANO

COTIDIANO
Colore esses dias cinzentos
Sempre que possível
Põe mais vida no dia-a-dia de tuas agonias.
Celebra com alegria
Cada nascer e pôr do sol
E vibra a cada lua que surge linda e única.
Desenha a tua essência
No solo do caminho trilhado
Para que quem venha depois
Saiba de seu valor.
No mais, viva escandalosamente
Cada fração de segundo
Para ti encheres da glória
Do que é mais simples: o cotidiano.
 (Para Daniela Fidelis PJMP- MG/DF)
Abril de 2011

LEMBRANÇAS

LEMBRANÇAS
Todo meu tecido é composto por lembranças
Doces... Amargas... Mas são minhas,
Patenteadas,
Ninguém me tira,
A Não ser o tempo
Fator natural: esquecimento,
Caduquice,
Mas são minhas.
Compostas de minha subjetividade,
Intrínsecas a mim,
Inerentes.
Abril de 2011

FINITUDE

 FINITUDE
Eu sou feliz 
com que supostamente sou
Como também sou triste
Com o que não quero ser
Mas de certo sou bem mais.
Eu não caibo em mim
Eu não caibo no infinito
Da finitude que é viver.

Abril de 2011

MORADA

MORADA
“O Amor é quando a gente mora
                                                             Um no outro” Mário Quintana.

Já não sei se algum dia
Morei em ti
Ou sempre estive desabrigada
Talvez eu sempre more sozinha em alguém
Ou alguém sozinho em mim,
Talvez até haja reciprocidade
Mas não sei se nas mesmas dimensões
Pois o amor não se mede,
Mas na maioria das vezes
Personifica-se.
Junho de 2008

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

INEXATA

INEXATA
Nada do que eu fui me resta agora
Nada me contempla, nada me exclui
Nada me evapora, Exonera.
Nada do que eu sou
Me Dissipa
Me Despe,
Equilibra.
E nada é muito complexo
E tudo é muito relativo
Mas eu, Sou uma incógnita,
Uma inconstância em efervescência,
Ebulição.
Meu nome é crise.
De sobrenome, inexata.

Poetisa sim senhor!!!

 Sou poetisa, sim senhor,
 faço da arte,
 parte do todo que sou,
 porém, sou incompleta,
porque inacabada sempre serei.